Lét agogo: leite de qualidade produzido no Haiti para o Haiti


Leia as últimas atualizações do projeto apoiado pelo Brasil que está revitalizando a cadeia produtiva do leite no Haiti e já beneficiou mais de 80 mil crianças com alimentação escolar.

 

Let-agogo2_mainO projeto Let Agogo (“leite em abundância” em creole) segue em implementação no Haiti, reforçando a cadeia produtiva do leite para a distribuição em cantinas escolares. O projeto, que tem previsão de término em Dezembro de 2014, está em curso desde 2011 com recurso de US$5,5 milhões do governo brasileiro (leia mais sobre o Lèt Agogo aqui). O projeto, fruto de uma parceria do governo brasileiro com o Programa Mundial de Alimentos, a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura e o Ministério da Agricultura, Recursos Naturais e Desenvolvimento Rural do Haiti chega em 2013 com a marca de mais de 84 mil estudantes recebendo leite produzido localmente em suas merendas escolares – cerca de 4,5 milhões de garrafas de leite desde o início do projeto – e 710 produtoras de leite apoiadas com extensão rural. Espera-se que até o fim do projeto no próximo ano mais 3 leiterias receberão investimentos do projeto, beneficiando mais 165 produtores.

A produção do leite no Haiti foi em boa parte desmobilizada pela liberalização da economia nos anos 90. O leite é o segundo maior produto importado no país, como leite em pó ou importado, o que demonstra o grande interesse da população mo produto. As importações chegam da República Dominicana ou dos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, os recentes e recorrentes desastres socioambientais enfrentados pelo país tiveram enorme efeito na situação de insegurança alimentar no país, o que exige que investimentos sejam para que se encontrem soluções para uma produção sustentável e resiliente de alimentos que permita uma oferta estável a produtos de qualidade a preços acessíveis. As compras locais de agricultores familiares podem ter um papel central nesses esforços, e é nesse contexto que o Lèt Agogo se insere.

Devido às dificuldades que a cadeia produtiva local de leite encontra no Haiti, o Brasil tem optado pelo reforço produtivo com ênfase na produção orgânica e agroecológica, por seus benefícios em termos de saúde nutricional e sustentabilidade, e também pela possibilidade desses produtos apresentarem um diferencial bastante valorizado nos mercados da região. Sendo assim, a FAO oferece apoio produtivo às leiterias beneficiadas, com o oferecimento de assistência técnica, o apoio em reforço de infraestrutura (com reformas e manutenção de equipamentos) e a compra de animais para reforçar os rebanhos existentes.

Uma vez produzido, esse leite é quase que integralmente adquirido pelo Programa Mundial de Alimentos para fazer parte das merendas dentro de seu programa de alimentação escolar no país. Como apontado, a situação de segurança alimentar no Haiti foi fortemente afetada pelas recentes crises, e a alimentação escolar tem se mostrado uma ferramenta importante de proteção social ao garantir que as crianças na escola usufruam de pelo menos uma refeição balanceada ao dia. Hoje o PMA compra cerca de 70% da produção das leiterias apoiadas pelo Lèt Agogo, e com a possibilidade de que essas leiterias façam a transição para produzir de forma orgânica, há uma expectativa de que a demanda em outros mercados aumente cada vez mais. Fecha-se assim o ciclo das compras institucionais que o Brasil apóia, inspirado pelo seu próprio Programa de Aquisição de Alimentos; por um lado, os agricultores familiares recebem apoio para melhorar a qualidade e quantidade de sua produção e por outro, tem demanda garantida ao final do ciclo produtivo, o que os incentiva a investir em sua produção, oferecendo cada vez mais alimentos saudáveis e localmente relevantes para suas comunidades.

Muitos desafios permanecem para que as compras locais de leite avancem ainda mais no Haiti, especialmente relacionados às dificuldades institucionais ainda presentes no país, a algumas lacunas tecnológicas, a necessidade crescente de extensão rural e a garantia da participação dos movimentos sociais e da sociedade civil no debate sobre a importância das compras locais. Mesmo assim, o Lèt Agogo mostra que explorando as possibilidades produtivas de um país, mesmo em condições de grande vulnerabilidade, é possível encontrar formas para que os agricultores familiares possam alimentar suas próprias comunidades e países.

A iniciativa pode ser conhecida por meio do documentário “Lèt Agogo”, uma parceria entre o Governo brasileiro e a FAO. Com a produção e direção de Celso Maldos, o vídeo busca difundir a experiência haitiana junto aos fóruns internacionais, e pode ser acessado pelo YouTube.

 



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